Dos nove estados da Amazônia Legal, Mato Grosso é o que mais preocupa por causa dos altos índices de desmatamento em janeiro deste ano, quando foram detectados 118 km² de áreas desmatadas com solo exposto e mineração.
O coordenador de comunicação do Observatório do Clima, Cláudio Ângelo, ressalta que índices tão altos não são comuns no mês de janeiro, que é chuvoso. Por conta disso, o alerta é ainda mais importante.
“Estamos vendo desmatamento tão alto no mês que é um dos mais chuvosos e que historicamente tem uma das médias mensais mais baixas de desmatamento, porque chove o mês inteiro. É um sinal bastante preocupante”.
Os alertas diários são emitidos pelo sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ajudam nas ações de fiscalização do Ibama.
Janeiro terminou com mais um resultado negativo para a floresta amazônica, em apenas 31 dias foram desmatados quase 120 km² de vegetação nativa.
Os 360 km² de alertas de desmatamento na amazônia legal foram registrados antes mesmo de janeiro terminar, até o dia 21, o número é 4x maior do que o total do mesmo mês do ano passado.
A gestora ambiental do Greenpeace, Cristiane Mazzetti, reforça a importância de ações coordenadas entre Governo Estadual e Federal.
“Os Estados podem até ter colocado um pouco mais de empenho em atividades de fiscalização, no entanto quando temos um Governo Federal que se coloca contrário a proteção das florestas e dá diversas sinalizações de que o crime ambiental será tolerado e recompensado, esses esforços acabam se anulando”
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que entre 2004 e 2021 o desmatamento legal reduziu 85% e que o Estado mantém ações de fiscalização e monitoramento por satélite. Neste ano, R$ 84 milhões serão investidos no setor.